
Lumieira Comunicação / Ana Paula Mota
Produção goiana mergulha na história da “Galhofada – Mostra de Artes na Rua” que há duas décadas se faz presente, transformando arte em encontro, em memória e resistência no coração do Setor Pedro Ludovico.
No dia 5 de setembro, sexta-feira, às 19h, o público de Goiânia terá a oportunidade de apreciar mais uma sessão de estreia do telefilme “A Hora da Galhofa”. O trabalho, que teve as suas primeiras exibições em junho deste ano, será apresentado, agora, na própria “Galhofada – Mostra de Artes Na Rua”, que acontecerá de 05 a 07/09, na Ilha da Galhofa (Alameda Henrique Silva – Setor Pedro Ludovico). Como sempre, toda a programação é gratuita.
Mais que um produto audiovisual, o trabalho é um reencontro com a memória afetiva de um território e com a força poética de um gesto coletivo que, há 20 anos, transforma todo um bairro numa ilha de riso, afeto e transformação social. Este projeto foi contemplado pelo Edital nº 4/2023 Produção Curta metragem, obra seriada e telefilmes, documentário e minidocumentário da Lei Federal Paulo Gustavo.
O filme, com 52 minutos de duração, é dirigido por Rô Cerqueira e Hélio Fróes e nasce como uma homenagem audiovisual à “Galhofada – Mostra de Artes na Rua”. O telefilme tem como ponto de partida os relatos de moradores do Setor Pedro Ludovico. Alguns deles nasceram após a criação da mostra e cresceram entre lonas, picadeiros improvisados e histórias contadas ao ar livre. Outros viram, ao longo das duas últimas décadas, sua rua virar palco, sua casa virar camarim, seu bairro virar cena.
Uma ilha de voluntariado e contribuições espontâneas
A Galhofada nasceu em 2004, fruto da urgência de levar ao público o espetáculo de rua “O cabra que matou as cabras” da Cia de Teatro Nu Escuro, que com o apoio da Oficina Cultural Geppetto e de grupos como Teatro que Roda, Teatro Reinação e Grupo Zabriskie, teve a iniciativa de realizar não somente uma apresentação, mas uma pequena mostra teatral. Nascia então a primeira Galhofada — um ato de ocupação simbólica e artística do espaço público.
E foi nessa mesma ilha que brotou, ano após ano, um dos festivais mais longevos e queridos da capital goiana. Um espaço onde a arte pulsa de forma orgânica, sustentada por chapéus passados, rifas solidárias, contribuições espontâneas e o mais valioso dos recursos: o envolvimento apaixonado de quem acredita que cultura não deve ser privilégio, mas direito.
O filme como veículo de diálogo
Além da exibição do telefilme, todas as sessões contarão com rodas de conversa abertas ao público. Estes encontros pretendem ampliar o debate sobre memória, arte de rua, ocupação de espaços e políticas culturais, fortalecendo o vínculo entre o filme e as comunidades envolvidas.
Convivência, comoção e transformação comunitária
O telefilme percorre toda a trajetória da Galhofada com lirismo e vigor documental, revelando não só as apresentações e bastidores, mas também os conflitos, as angústias e os momentos de superação que marcaram a história da Galhofada.
Um desses momentos, retratado com emoção no filme, aconteceu em 2014, quando um jovem da comunidade foi baleado durante o festival. O episódio poderia ter encerrado ali a história da Mostra — mas foi justamente o contrário. No dia seguinte, o festival se reinventou em um poderoso ato pela paz, com oficinas, cartazes e um grande abraço coletivo na Ilha da Galhofa. Porque onde havia medo, a comunidade decidiu plantar esperança.
Ao longo dos anos, a Galhofada se consolidou como território de convivência. A rua voltou a ser espaço de infância, de troca, de imaginação. Crianças que chegaram nos ombros dos pais hoje são adolescentes que ajudam a montar as lonas. Artistas de todo o Brasil se revezam em apresentações que misturam o riso com a reflexão, o circo com a denúncia, a brincadeira com a política.
A força do telefilme está justamente nisso: revelar como um festival pode ser, ao mesmo tempo, espetáculo e espelho. Como pode fazer com que um bairro inteiro se reconheça, se reencontre e se reinvente a partir da arte. “A Galhofada é nossa!”, gritou uma moradora em uma das rodas de conversa captadas pelas câmeras. E é esse pertencimento que o filme eterniza.
Para Hélio Fróes, idealizador e um dos realizadores do telefilme A Hora da Galhofa, o projeto carrega um envolvimento pessoal profundo. “Acompanho a Galhofada desde a primeira edição. É um grande prazer mostrar ao público esse olhar sobre os bastidores desse evento tão generoso. São centenas de artistas, milhares de pessoas no público, e sempre com esse espírito de doação, de um artista com o outro, criando esse laço com a comunidade que recebe o evento”, afirma.
Já Rô Cerqueira destaca o impacto transformador do encontro com o teatro de grupo em Goiânia e a potência coletiva da Galhofada. “Vinha de uma realidade artística muito segmentada, e conhecer o teatro de rua foi um encantamento. A Galhofada surgiu num momento em que os grupos estavam fortalecidos, os projetos nascendo, os recursos chegando, e tudo funcionava porque havia uma consciência de coletivo. Isso me emocionou profundamente. É lindo ver um evento que só acontece porque todos vibram na mesma intenção.”, conclui.
SERVIÇO:
Exibição do telefilme “A Hora da Galhofa”
5 de setembro (sexta-feira) – 19h
Ilha da Galhofa (Alameda Henrique Silva – Setor Pedro Ludovico, Goiânia)
A Galhofada acontecerá de 05 a 07 de setembro, com programação durante todo o dia. Um dos pontos altos será o grande cortejo no sábado (06/09), com início às 16h em um animado “esquenta”, reunindo artistas em um desfile cultural que exalta a arte, a diversidade e a alegria coletiva.
As inscrições para propostas de oficinas e trabalhos artísticos estão abertas e seguem até o dia 29/8.
O evento também pede contribuições voluntárias, para pagamento de estrutura física e itens de alimentação através do PIX da Oficina Cultural Geppetto: galhofada23@gmail.com
TODAS AS ATIVIDADES DA GALHOFADA SÃO GRATUITAS
Mais informações: www.instagram.com/