Patricia Finotti

(crédito: divulgação Hipopótamo de Biquíni)

Talita Prudente

 

Sem efeitos computadorizados (CGI) , diretor goiano aposta em caracterização e técnicas realistas para assombrar o público 

As lendas urbanas de Goiás ganham vida na série de terror Causos da Madrugada, dirigida pelo goiano Éder dos Santos. Inédito, o roteiro é inspirado em uma HQ homônima, do artista Yuro, que traz figuras míticas de Catalão, como Rita Pó e Antero Carvalho.  A produção  transporta o público para um imaginário popular que há décadas desperta medo e fascínio, e  faz isso sem recorrer a efeitos digitais, apenas com talento, técnica e criatividade. 

O diretor conta que, diferente de produções hollywoodianas, Causos da Madrugada foi construída sem CGI (Imagens Geradas por Computador). Toda a atmosfera sobrenatural é fruto de efeitos práticos e maquiagem. Os personagens lendários, ganharam forma pelas mãos de Isabelle Leonora e Sabryne Cipriano, responsáveis pela caracterização, da figurinista Fernanda Alinny e da diretora de arte Dimitria Bonini, que criaram visuais assustadores e cheios de detalhes. 

Entre litros de sangue cenográfico e truques de câmera, a produção apostou na velha escola do terror. Machucados, cortes e aparições foram feitos artesanalmente, tudo visível e tátil durante as filmagens. Para criar as manifestações fantasmagóricas, por exemplo, Éder se inspirou no filme underground Os 13 Fantasmas (2001).  

“Queríamos que as almas parecessem instáveis, quase elétricas. Durante a gravação, os atores iniciavam as falas e quando recebiam o sinal ficavam totalmente paralisados enquanto os atores dos fantasmas entravam em cena. Essa estratégia somou-se aos flashes de luz, aos efeitos sonoros e à montagem final”, revela Éder. A série é uma realização da produtora Hipopótamo de Biquíni, em parceria com o Instituto de Arte e Inclusão (INAI) e a PROCENA, com patrocínio da Lei Paulo Gustavo do Estado de Goiás.

Entre as aparições fantasmagóricas estão a de Rita Pó,  noiva abandonada no altar por volta de 1920 que, em desespero, tirou a própria vida no Morrinho de São João, ponto turístico de Catalão  onde dizem ainda que seu espírito vaga buscando vingança. Outro personagem sobrenatural é Antero. Farmacêutico e poeta, ele foi injustamente executado em 1936, tornando-se um “santo popular” que hoje inspira devoção e resistência no interior goiano. 


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