Patricia Finotti

(crédito: Raphael Vieira)

Mayara Vila Boa

Uma busca pela estética do sonho. Uma investigação sobre as fronteiras entre sonho e realidade. A websérie, que nasceu de um espetáculo com o mesmo nome, é uma ferramenta de conexão com um outro lugar. Devaneio e sanidade. Animal e homem. O que nos divide? O que nos aproxima? Do terror à comédia, KATATONISCH convida o espectador a transitar, junto com o ator, por diferentes sensações e sentimentos inerentes à vida e ao tempo presente. Uma reflexão sensorial sobre quem somos e sobre o mundo que vivemos.

O PROJETO

O projeto KATATONISCH centra suas ações na expansão do universo do espetáculo de teatro de mesmo nome. O espetáculo KATATONISCH foi aprovado no edital de teatro da Lei Goyazes 2017 e é o primeiro espetáculo solo do ator Thiago Moura, que após mais de dezesseis anos de prática, estudos e pesquisas, investe na criação de um trabalho que concentre a bagagem deste período. Seu processo de montagem se deu no ano de 2017, com circulação por algumas cidades do interior de Goiás: Cidade de Goiás, Pirenópolis, São Jorge e Alto Paraíso. Assim, a websérie propõe a continuidade da circulação, de forma a atingir outros públicos.

O espetáculo é um dos resultados da pesquisa teórico-pratica de mestrado do ator Thiago Moura no Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena, UFG, sob a orientação do Prof. Dr. Samuel Jose Gilbert de Jesus. Compreende os estudos sobre o ator-narrador, as propriedades de formação e aprofundamento através do trabalho de máscaras, em especiais atribuições à figura do clown, e a pesquisa de linguagens estéticas em interfaces com outras artes.

KATATONISCH é uma obra que convida o espectador a transitar, junto com o ator, por diferentes sensações e sentimentos inerentes à vida e ao tempo presente. Uma reflexão sensorial sobre quem somos e sobre o mundo em que vivemos.

Inicialmente, o projeto previa uma circulação do espetáculo de teatro, mas com a pandemia de COVID-19, o ator passou os últimos três anos pesquisando e ressignificando todo o seu estudo e pesquisa para habitar o palco digital. E fez isso também com todos os outros espetáculos de seu repertório. A obra original, assim como a primeira temporada de videoperformances, foi dirigida pelo mímico, diretor e ator, Miqueias Paz. No projeto Katatonisch, o ator Thiago Moura, sob a direção dos diretores e pesquisadores Vincent Glen Gielen e Roberta Otone, apresenta mais 48 videoperformances com início, meio e fim, que se conectam por meio do contexto do universo expandido da obra.

A OBRA ORIGINAL: UM EMBRIÃO PARA UM UNIVERSO EXPANDIDO EM MÚLTIPLAS LINGUAGENS

No espetáculo que deu origem à websérie, teatro físico e mímica contemporânea se encontram no processo de montagem numa confluência íntima e orgânica. Meses de trabalho para alinhar anos de pesquisa. Sem a necessidade de uma estrutura dramática tradicional, o corpo do ator, num diálogo com as sombras e objetos que colaboram na composição das imagens, cria formas compreensíveis ao imaginário coletivo, não necessitando e até evitando o uso da palavra inteligível, buscando formas extra-cotidianas de diálogo com o interlocutor.

Miqueias Paz, diretor do espetáculo, traz em seu corpo, respiração e universo imagético a experiência de mais de quarenta anos criando formas com o movimento. Mímico reconhecido no Brasil e no mundo, começou um diálogo com o ator do espetáculo há 12 anos por meio de direção de outros trabalhos coletivos, cursos imersivos, assessoria em mímica e teatro físico. O espetáculo também é fruto desta relação. O mímico das mil formas é também um mímico da sonoridade. Talvez por isso, a cenografia desta experiência é desenhada e sentida por meio dos sons.

Assim, a colaboração do multi-instrumentista Fernando Assis na concepção, desenvolvimento e execução da trilha sonora é fundamental. É ela o movimento invisível que transpassa o espectador. É ela que desenha no escuro as sensações, o clima, a temperatura, o sentimento e o espaço abstrato onde acontece a narrativa desconstruída.

O ator Thiago Moura, ao decidir construir um espetáculo que fosse a síntese das múltiplas linhas de pesquisa que envolvem o seu trabalho, estabeleceu um desafio para vida: criou um espetáculo que é, ele mesmo, resultado de um processo e uma proposição de múltiplos processos. O espetáculo não tem um ponto final. Ele sempre propõe mais e solicita mais ao trabalho do ator. Assim, os ensaios e a preparação para realização do espetáculo são, em si, um treinamento completo para o desenvolvimento do trabalho do ator numa perspectiva do teatro contemporâneo. A máscara (e nela o trabalho do palhaço contemporâneo e do bufão), a palavra (ou a potencialidade sonora do corpo do ator), a pesquisa de linguagem (numa busca de uma estética do sonho) e a inter-relação entre teatro, vídeo e cinema – um caminho trilhado a anos pelo ator em diversos espetáculos, convergem, todos, em uma só obra. Desafio, inquietação e desconstrução de modelos pré-estabelecidos. Um jeito próprio, estranho e convicto.

O espetáculo é, sobretudo, uma encruzilhada. Um ponto de conexão entre profissionais, pessoas e linguagens. Aponta para diversos caminhos e se estabelece como obra aberta e se completa apenas na mente do espectador ou naquilo que ele compreende como realidade. E o que é realidade? A investigação do onírico, do universo do sonho e de uma estética que nasce desta relação com o delírio são propostas deste trabalho. A realidade para além da realidade. E neste campo de investigação e experimentação, sem jamais chegar há qualquer conclusão ou ponto final, nos encontramos com outros artistas que, de alguma forma, dialogam suas obras neste espectro criativo em suas múltiplas linguagens: Salvador Dalí, Luis Buñuel, David Lynch, Jan Saudek nos atravessam e nos alimentam.

A encruzilhada está aqui também no encontro de linguagens: teatro, vídeo, cinema, dança, música, performance e circo. Emaranhados, deformados e quase irreconhecíveis nosso circo dos horrores. A luz, a trilha sonora, cenografia, os objetos e figurinos acompanham a estética do sonho, do onírico. De forma minimalista e objetiva são caminhos para o encontro entre obra e espectador. O espetáculo existe a partir da influência do espectador.

O ATOR

Thiago Moura é ator de cinema e teatro, mestrando em artes da cena, preparador de elenco, curador, produtor, gestor cultural, diretor e palhaço. Ator-criador de forma colaborativa e coletiva de todos os espetáculos do Grupo Bastet desde 2003, produtor engajado e criador do NA PONTA DO NARIZ – Festival Internacional de Palhaçaria e Comicidade que, em 2023, vai para sua 9ª edição. Sempre no caminho da criação de redes colaborativas e pontes que conectem os artistas do mundo, sob sua direção, o festival tem trazido a Goiânia e ao Brasil os maiores nomes da palhaçaria mundial: Avner Eisenberg (EUA), Sue Morrison (Canadá), Leo Bassi (Itália), Jango Edwards (EUA), Chacovachi (Argentina), além de nomes como Letícia Sabatella; além de abrir espaço de participação de nomes importantes da palhaçaria, circo, teatro e cinema nacional e proporcionar o encontro de realizadores e criadores. O hibridismo de sua pesquisa, espetáculos e propostas faz dialogar com o circo, teatro, cinema, mídias digitais, vídeo e performance. Em seu mestrado em Artes da Cena pesquisa os pontos de convergência entre o trabalho do ator no teatro e as múltiplas mídias, principalmente o vídeo, as redes sociais e o cinema. Talvez, a partir desta provocação, possamos explorar a idade de um “cinema de ator”.

ERVIÇO:

KATATONISCH – websérie em 48 episódios

Data: 01 a 30 de novembro de 2022 (se inscreva no canal e ative o sininho para ser notificado quando cada vídeo entrar no ar)

Horário: sempre às 19h

Local: www.youtube.com/atornomade

“Este projeto foi aprovado no edital de teatro da Lei Goyazes 2017”

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